Onde está o seu Walden?


“Fui para a mata porque queria viver deliberadamente, enfrentar apenas os fatos essenciais da vida e ver se não poderia aprender o que ela tinha a ensinar, em vez de, vindo a morrer, descobrir que não tinha vivido”.

     Em julho de 1845, descontente com a violenta expansão industrial da sociedade americana, Henry David Thoreau deixou sua cidade natal Concord, Massachusetts, para instalar-se à beira do lago Walden. Thoreau permaneceu em seu pequeno refugio natural durante dois anos, dois meses e dois dias, apartado da sociedade dos homens, suprindo suas próprias necessidades, vivendo da terra, estudando, contemplando a natureza e conhecendo-se a si mesmo.

Estátua de Thoreau, aos fundos réplica de sua cabana as margens do lago Walden.
Nos dias de hoje, vivendo essa "Geração Fast-food", descompromissada e escrava do consumismo, fico na dúvida se ainda é possível contemplar a existência e as belezas que o nosso lindo planeta tem a nos oferecer. Thoreau precisou ir para os Bosques, sob proteção dos braços imponentes das águas do Lago Walden, para se ver livre da grotesca competição industrial, que continua movimentando e alimentando nossa ambição em produzir mais e mais coisas inúteis que nos proporcionem alguns momentos de falsa felicidade consumista.

“A própria simplicidade e despojamento da vida do homem nos tempos primitivos traz pelo menos essa vantagem, que ainda lhe permitia ser apenas um hóspede da natureza”. 

Analisando as memoráveis palavras de Thoreau na citação acima, podemos nos propor à reflexão de que o homem pós-moderno trocou seu papel de hóspede, para agente transformador. Com o desenvolvimento assustador da ciência e tecnologia, o homem largou sua independência, para se tornar instrumento de seus próprios instrumentos. O homem livre que vivia da coleta de frutas e verduras para saciar sua fome virou agricultor; aquele que se abrigava em cavernas agora tem uma casa para cuidar. Nossa realidade se resume em pagar juros de cartão de crédito, trabalhar muito para receber pouco, e com esse pouco pagar nossos próprios grilhões acoplados em objetos desnecessários.

Será que existe uma salvação para esse novo homem perdido em seus devaneios desejosos? Um lugar onde possamos nos libertar das amarras, dos pacotes, caixas e latas que aprisionam nosso espírito livre. Walden pode estar em todos os lugares, no seu quintal, na escola ou até mesmo no abraço apertado de alguém que amamos. Não deixe a correria do dia a dia afunilar o ritmo de suas caminhadas. Escute seu coração, e a voz que emana de sua consciência, tire algumas horas da rotina diária para contemplar e observar os pequenos detalhes a sua volta; aprenda a derrubar os muros que restringem os saltos do seu amor, valorize quem se importa com a sua existência. Só você tem o acesso ao mapa que te levará ao seu Walden, não abandone suas raízes e sua simplicidade. Viva profundamente, sugando todo o tutano da vida, de forma tão espartana que elimine tudo que não for vida.

Fontes


THOREAU, Henry David. Walden. Porto Alegre, L&PM Pocket, 2010. 335 p.

Escrito por: Jorge Eduardo Salvador.

15 de Janeiro na História - Nasce o Ativista Reverendo Martin Luther King Jr


Em um dia como este, no ano de 1929, nascia em Atlanta, na Georgia, o ativista político e pastor protestante norte-americano Martin Luther King Jr. O jovem reverendo foi o porta voz na luta pelos direitos civis da população negra dos Estados Unidos.


Influenciado pelos textos de Desobediência Civil de Thoreau, e a luta não violenta empregada por Mohandas Gandhi, que resultou na independência da Índia em 1947, Martin libertou seu povo do Câncer do Racismo, que segregava os negros a uma vida de sofrimento e humilhações.


Em 1963 Martin Luther King conseguiu que mais de 200.000 pessoas marchassem pelo fim da segregação racial em Washington. Nesta ocasião proferiu em frente ao Memorial Lincoln seu discurso mais conhecido, "Eu Tenho um Sonho". Dessas manifestações nasceram a lei dos Direitos Civis, de 1964, e a lei dos Direitos de Voto, de 1965.


Como reconhecimento por sua luta, recebeu, em 14 de outubro de 1964, o Prêmio Nobel da Paz (foi o mais jovem até então a obter a honraria). Martin Luther King era odiado por muitos segregacionistas do sul, o que culminou em seu assassinato no dia 4 de abril de 1968, momentos antes de uma marcha, num hotel da cidade de Memphis. James Earl Ray confessou o crime, mas, anos depois, repudiou sua confissão. Encontra-se sepultado no Centro Martin Luther King Jr., Atlanta, Fulton County, Geórgia nos Estados Unidos.


Em 2015 foi lançado com aclamação o filme biográfico "Selma: Uma Luta Pela Igualdade". O filme retrata os protestos e as manifestações realizadas por King em defesa da liberação do voto para a população negra. O grande momento do filme é a marcha realizada sobre a ponte Edmund Pettus, em Selma, Alabama. No vídeo abaixo segue a canção original do filme "Glory - John Legend e Common" que recebeu a estatueta da academia na disputa pelo Oscar.



Fontes - www.humanrights.com, www.seuhistory.com

Punhos de Ferro Contra o Terror


Nossos pesares aos ataques terroristas que ceifaram centenas de vidas inocentes em Paris. O mundo precisa se unir, e usar garras e punhos de ferro na luta contra o Terror.

Resenha - Mestre dos Desejos (1997)


Sinopse


Deus não criou apenas o Céu e a Terra, mas também um verdadeiro inferno onde esconde os terríveis Djinn. Conhecidos como Mestres Dos Desejos, os Djinn são criaturas demoníacas que planejam fugir dos confins das Trevas, usando para isso as mais poderosas de todas as armas: a ganância e a vaidade. Um acidente com uma estátua persa libera uma joia, que aprisiona um antigo demônio chamado Djinn. Alexandra acidentalmente desperta essa criatura, que precisa resolver o três desejos da sua libertadora, sempre de uma forma distorcida para o mal, para alcançar a vida eterna.

Resenha 


Como é bom matar a saudade dos grandes filmes de horror. Realmente é um grande prazer poder apreciar um filme com grande qualidade, e nível de criatividade. Mestre dos Desejos se destaca em diversos aspectos, desde a maquiagem, até a ótima historia envolvendo a lenda dos Djinn. Voltamos no tempo assistindo esse filme. Alimentamos nossa fome pelo já extinto medo clássico.

A Historia explora a verdadeira face dos gênios, que foram mascarados e escondidos em lampadas para enganar e iludir o publico infantil. Gênios ou Djinn criaturas maldosas e cruéis que utilizam de grande inteligencia, para enganar suas vitimas. Esse se torna o ponto interessante do filme, a grande exploração da lenda, e a sua transformação em um grande show de horrores, cheio de peças e muito sarcasmo.


Nos filmes de hoje, vemos muitos efeitos especiais desnecessários, que parecem ter saído de um vídeo game, efeitos forçados que tornam o filme sintético e tedioso. Em Mestre dos Desejos podemos ver um grande trabalho de maquiagem e um enredo que impressiona. Sangue, monstros e cenários muito bem feitos e trabalhados, nos deixando completamente joviais diante à maneira como envolve o espectador junto a trama. Se prepare para ver efeitos dignos e consistentes que nos levam a ver mortes, e cenas muito próximas a realidade.

No elenco temos alguns grandes nomes, em destaque o de Robert Englund (Freddy Krueger), que ganhou grande exibição e fama com a franquia "A Hora do Pesadelo". No filme Englund tem uma boa atuação, nada de muito magnifico mas uma interpretação mediana e segura. O Destaque fica pela inexperiente Tammy Lauren (Alexandra), que se coloca de uma forma extraordinária em conexão com sua personagem, tornando sua atuação algo muito agradável. O Elenco também conta com Tony Todd e Ted Raimi, que se destacam com uma longa carreira no mundo dos filmes de horror.


Eu já vi todos os filmes da franquia, e confesso que esse seja o melhor. Recomendo que todos vejam e relembrem um grande período do Cine Horror.

Lembre-se! Pense bem antes de desejar qualquer coisa.


Ficha Técnica


Titulo Original: Wishmaster. Direção: Robert Kurtzman. Roteiro: Peter Atkins. País: Estados Unidos. Ano: 1997. Gênero: Fantasia/Terror. Duração: 90 Minutos.



Autor: Jorge Eduardo Salvador.

ABC DA DISCUSSÃO: INCOERÊNCIA, INCOERÊNCIA, É TUDO INCOERÊNCIA


a) Discussão é embate, encontro, problematização de ideias. Não está em jogo a vida pessoal da minha companheira e afins. 

b) Usar classificações como “feminazi”, “machista”, “opressor”, “capitalista”, “preto”, “branco” [...] para vencer seu oponente só mostra quão despreparado(a) você está. Se "vence" a discussão com argumentos e não com chavões, modinhas, etc., que ao demonizar infantilmente seu opositor, te outorgam uma áurea de santidade e não uma veracidade de argumentações. 

c) Quando for desconstruir, pense em possibilidades de construir algo, mostrar possibilidades. Até o mais desinstruído pode criticar algo, porém mostrar possibilidades lógicas e relevantes é coisa para poucos. 

d) Procure ser o mais claro possível. A maioria das pessoas não leram o que você leu, não ouviram o que você ouviu, não viveram o que você viveu. Mas vale ser compreendido(a) na simplicidade, do que ser admirado(a) na incompreensão. 

e) Liberdade de expressão não é liberdade para ofender outrem, não é ofendendo, xingando, desrespeitando que vencerás a discussão. Isso mostra quão mal caráter és. 

f) Se você não é obrigado a concordar com todo mundo, também ninguém o é com você. Se você vê como problema a vida das focas no polo norte, eu posso (dentro dos padrões de comparação simétricos), não achar isso um problema relevante, ponto. Discussão é uma regra na realidade nas relações humanas. 

        Discutimos porque vivemos em comunidade e temos histórias diferentes, percursos diferentes. Neste sentido, os embates de ideias, a divergência e o desentendimento não são elementos nocivos às relações humanas, são elementos que mostram a existência de uma autonomia de ser e de estar. Nesse quesito, vale destacar então que a discussão visa o afinamento de posições e o consenso ou não, dos contrários. 

A face desnecessária da discussão é aquela arrogante e orgulhosa, onde por um lado a pessoa pensa tudo saber sobre as verdades últimas da quinquagésima estrela na órbita de marte, não admitindo ser contrariado(a) e por outra, aquela distorção no caráter caraterística daquele que não consegue ceder sua posição e assumir seus equívocos mesmo quando seu oponente possui todas as provas, os argumentos que corretamente contrariam sua posição. 

Diante da facilidade de escrever e se proteger atrás de um Smartphone, de um notebook, e por que não dizer atrás de uma caneta, vemos pessoas reclamando por liberdade de expressão, alegando que “uma charge, não mata ninguém”; que “é tempo de desconstrução” e “mudança de paradigmas”. Apenas a título de exemplo, cito o ocorrido na França, os assassinatos na redação da revista Charlie Hebdo. Bem, de modo nenhum a chacina é defendida ou justificável, porém, não se pode negar as constantes e desnecessárias provocações saídas da referida agência contra Maomé, principal referência da religião Muçulmana. As provocações vinham em tom de deboche à religião muçulmana, caraterístico de uma das maiores violências que os ditos “críticos” não se percebem (ou percebem e o fazem malevolamente): a violência simbólica. Essa imposição do discurso neo ateísta que não apenas declara a insuficiência de alguma prova que ateste a existência de Deus (como o faz e com todo direito o ateísmo), mas persegue, ridiculariza, martiriza e reprime as variadas expressões do universo que vai além do sensitivo, está tão culturalmente estabelecida, que atestar essa postura arrogante perante o que não se sabe sobre religião tornou-se selo de inteligência na maioria dos espaços acadêmicos, rodas de conversa, mídias, editoriais de modo geral. Ora, todos os segmentos sociais podem e devem ser questionados, problematizados, mas o extremismo é cabalmente caraterístico deste tipo de discurso arrogante e estou muito mais interessado em construir possibilidades do que apenas desconstruir. 

Ilustrações publicadas na revista - Charlie Hebdo. Foto: retirada da internet no dia 30/09/2015
A discussão visa aprimorar posições e não demonizar pessoas como temos visto em nossa sociedade. Estes pontos assinalados no início deste texto, são linhas gerais e básicas de qualquer discussão, independente do assunto, desde políticas públicas à relações interpessoais. É preciso compreender que discutir faz bem, mas faz bem quando as pessoas envolvidas sabem a diferença entre sustentar uma posição e demonstrar fidelidade ideológica, mesmo quando não se tem alguma coisa para defender. 

Nossa era é cada vez mais tomada por pessoas que não leem verdadeiramente sobre o que dizem, não tem experiência com o que asseguram conhecer, não ouvem os outros, não assumem seus erros, neuróticos para encaixotar os outros em caixas, desconstrutores de opiniões que eles não entendem, fundamentalistas que só enxergam fundamentalismo e fazem comparações além de anacrônicas, totalmente assimétricas. E são estas pessoas que se tornam conhecidas, são essas pessoas que mais gritam, e são estas, que no seu grito oprimido – quer no revestimento de religiosos ou não, machistas ou não, feministas ou não, comunistas ou não[...], acabam abafando as vozes, de quem não precisa esticar as cordas vocais, não precisa de altos cargos, e não precisa de reconhecimento e poder, para fazer o certo, zelando pela vida em comunidade, a vida na pólis; e é exatamente esse estado de coisas, que me faz concluir que incoerência, incoerência, é tudo questão de incoerência!!!

Autor: Alberto Melquizedek Samucuta

A Luta Jamais Acabara - Greenpeace

No dia 15 de setembro 1971, 12 ativistas zarparam de Vancouver num velho barco rumo à ilha Amchitka para impedir testes nucleares. Assim nascia o Greenpeace.

O vídeo foi publicado em 2011 para comemorar os 40 anos da luta do Greenpeace para salvar o planeta e suas espécies da barbárie humana. Vale a penas dar um Play e conferir a coragem dos ativistas que não temem o tamanho da encrenca. 

On The Road


"Eu só confio nas pessoas loucas, aquelas que são loucas para viver, loucas para falar, loucas para serem salvas, desejosas de tudo ao mesmo tempo, que nunca bocejam ou dizem uma coisa corriqueira, mas queimam, queimam, queimam, como fabulosas velas amarelas romanas explodindo como aranhas através das estrelas."

Nos dois trechos abaixo deixo em destaque dois parágrafos da introdução escrita pelo tradutor brasileiro dos manuscritos originais Eduardo Bueno. Os dois trechos relatam a magnitude do impacto causado pela obra de Kerouac em sua geração. O texto foi retirado da edição de 2013 da coleção L&PM Editores, Kerouac em 3 em 1.

"Pouco antes da meia-noite de 4 de setembro de 1957, Jack Kerouac e Joyce Johnson, a jovem escritora com quem estava vivendo, saíram do apartamento dela no Upper West Side, em Nova York, para esperar, numa banca de jornais na esquina da rua 66 com a Broadway, pela edição do dia seguinte do The New York Times. Kerouac fora alertado por seu editor que o romance On The Road, que escrevera havia quase dez anos, mas só então era publicado, seria comentado pelo mais prestigiado jornal americano. 

Sob a luz difusa de um poste, Jack e Joyce folhearam avidamente as páginas do Times até depararem com a crítica. Assinada por Gilbert Millstein, dizia: "On The Road é o segundo romance de Jack Kerouac e sua publicação é um evento histórico, na medida em que o surgimento de uma genuína obra de arte concorre para desvendar o espirito de uma época. É a mais belamente executada, a mais límpida, e se constitui nas mais importantes manifestações feitas até agora pela geração que o próprio Kerouac, anos atrás, batizou de Beat e da qual o principal avatar é ele mesmo."

Minha Experiência com On The Road

É difícil descrever com palavras os sentimentos, sensações e reflexão experimentadas durante a leitura do manuscrito. O livro não impressiona apenas pela qualidade do texto e a forma com que as frases e palavras entram em harmonia, mas carrega consigo toda uma carga autobiográfica, e a busca insaciável pelas mais delinquentes aventuras. Entorpecido por Benzedrina e Café e inspirado pelo Jazz, Jack Kerouac escreveu a primeira versão do que viria a ser On The Road. Kerouac escrevia em prosa espontânea, como ele chamava: uma técnica parecida com a do fluxo de consciência. Essa técnica de escrita livre e espontânea, me fez abandonar o dogmatismo gramatical para começar a expressar no papel todos os tipos de experiências e palavras que me vierem a mente. Fui completamente marcado pela prosa poética e melódica que abraça o leitor e o transporta para as mais exuberantes paisagens e aventuras americanas. Denver, Luisiana, Nova York, México e Frisco, todos com o pé na estrada guiados apenas pela loucura neurótica de Dean Moriarty.

O Parágrafo final de On The Road é apontado como um dos mais emocionantes e marcantes trechos de toda a literatura universal. Vou deixar abaixo o parágrafo completo para que assim como eu vocês possam prestigiar e degustar um pouquinho do que sinto ao ler esse aglomerado de palavras.

"Assim, na América, quando o sol se põe e eu sento no velho e arruinado cais do rio olhando os longos, longos céus acima de Nova Jersey, e posso sentir toda aquela terra rude se derramando numa única, inacreditável e elevada vastidão até a Costa Oeste, e toda aquela estrada seguindo em frente, todas as pessoas sonhando nessa imensidão, e em Iowa eu sei que agora as crianças devem estar chorando na terra onde deixam as crianças chorar, e essa noite as estrelas vão aparecer, e você não sabe que deus é a Ursa Maior? E a estrela do entardecer deve estar morrendo e irradiando sua pálida cintilância sobre a pradaria antes da chegada da noite completa que abençoa a terra, escurece os rios, recobre os picos e oculta a última praia e ninguém, ninguém sabe o que vai acontecer a qualquer pessoa, além dos desamparados andrajos da velhice, eu penso em Dean Moriarty; penso até no velho Dean Moriarty, o pai que jamais encontramos; eu penso em Dean Moriarty."

Manuscrito Original. Foto: Retirada da internet no dia 04/08/2015
Em 2012 On The Road saiu do papel para as telas de cinema. E o fez pelas mãos do diretor brasileiro Walter Salles, vou deixa nas linhas abaixo o link para o trailer caso alguém tenha interesse em assistir o longa.


Autor: Jorge Eduardo Salvador